Panorama completo de como foi a abertura da Campanha da Fraternidade no regional S. I. M da Diocese de ITaguaí-RJ
05/02/2018 18:37 em Diocese

No último Sábado, dia 05/02, ocorreu a Abertura da Campanha da Fraternidade na Igreja de Santa Teresinha em Seropédica, o evento contou com a presença do Pe. Fábio de Melo Gonçalves, Pe. Luiz Antônio e Padre Bruno Marins, e ainda teve a presença do Pe. José Eduardo, Pe. Carlos Eduardo, Padre Jairo, e diversos padres da Regional Sim da Diocese de Itaguaí. Também contou com palestras do delegado Dr. Anderson, que falou sobre a violência e da professora Joana, que se aprofundou em falar da campanha.

O delegado iniciou sua palestra pedindo que não haja divisão entre as pessoas, tanto em relação a religião, quanto a respeito de suas opiniões particulares.

 

“As causas da violência são várias, mas todas convergem para a falta de amor ao próximo, falta de seguir os mandamentos de Cristo.”

 

Depois continuou falando sobre como toda a violência converge para a ausência de amor ao próximo, onde o egoísmo predomina, pois se fossemos mais amáveis e respeitosos uns com os outros, o mundo seria um lugar melhor. Lembrou-nos que este foi um dos mandamentos de Jesus, e que este amor começa pelo respeito. Afinal, o nosso direito termina quando o do outro começa, e se não nos respeitarmos nunca alcançaremos a paz.

 

“E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.”

 Marcos 12:31

 

Porém ele também apontou que a falta de amor ao próximo é apenas uma consequência de vários caminhos tortuosos, que podem ser evitados a partir de oportunidades e de uma boa educação, tanto intelectual, quanto moral. Sendo a educação moral, aquela ensinada pela família, a partir de bons exemplos, estes criarão valores que serão desenvolvidos desde a infância até a maturidade, criando um ser humano que saberá respeitar o outro, mesmo nas dificuldades. Já a educação intelectual, é aquela que se aprende nas escolas, que serve para ampliar o conhecimento geral.

 

"Ensina a criança o caminho que deve andar e mesmo quando for velho, não se desviará dele" (Provérbios 22,6)

 

Lembrou-nos que hoje, o que vemos em nosso país é uma deficiência na área da educação. Há precariedade nas escolas, os alunos já não respeitam os professores e o governo não dá a assistência necessária, sendo este um cenário lamentável para o Brasil. Isto causa parte do caos que vivemos hoje, pois mesmo havendo oportunidades, não há gente capacitada, e esta falta de conhecimento e valores, faz com que o caminho mais fácil, o das drogas, o do roubo, o do “jeitinho brasileiro”, seja uma solução, aumentando ainda mais a violência em que vivemos.

Essa precariedade se dá em sua maioria pelo descaso do governo, que além de não oferecer condições dignas para uma criança estudar, também dá um péssimo exemplo ético e moral, abrindo brechas para que toda a sociedade acabe se tornando corrupta, pois se a pessoa que devia estar nos defendendo e fornecendo um serviço para a população não cumpre com sua obrigação, a sociedade acaba encontrando um “jeito” de viver, ou melhor, sobreviver.

Alertou-nos que como cristãos, somos exemplos e não podemos agir desta maneira, devemos ser pessoas conscientes e que respeitam as leis, pois somos a base da sociedade, se a mudança não começar por nós, por quem vai? Afinal, somos nós que escolhemos quem irá comandar nosso país, estado e cidade, talvez se fossemos mais honestos e não nos deixássemos vender por pouco, a situação seria melhor.

Além disso, recordou-nos sobre as leis, que se fossem seguidas corretamente, muito de nossa situação melhoraria, mesmo com suas falhas, haveria maior ordem na sociedade. Assim, a impunidade teria menos vez no nosso dia a dia. Com a punição correta, e com as leis levadas a sério, teríamos menos violência, mas o que mais vemos hoje são reincidentes no crime em liberdade, causando atrocidades, estes são fruto de um sistema carcerário ineficiente e de uma inversão de valores de toda a sociedade, desde os nossos políticos a nós mesmos.

Não há segurança em nossas ruas, e nem assistência do governo a quem deveria nos proteger. O que temos é um policial desvalorizado, com o salário atrasado ou defasado, e uma população que não apoia nossos policiais. Tais coisas os atrapalham a cumprir seu dever, que é o de proteger e manter a ordem. E tudo isso gera mais violência. A população acaba querendo fazer justiça com as próprias mãos, afinal o estado não pune e a mídia sensacionalista ainda incita a violência e a revolta do povo. Porém, como cristãos não devemos nos apegar a vingança, a crueldade e a violência, mesmo com quem está à margem da sociedade. Afinal, somos todos seres humanos, e mesmo quem comete um crime grave têm direitos e estes devem ser resguardados, como prevê a carta dos direitos humanos.

Finalizou lembrando que o respeito deve sempre ser mantido, porém isso não exclui o fato de que uma pessoa que comete um crime é um criminoso e deve sofrer as consequências de suas ações, sendo uma delas não estar apto a viver em sociedade. Mesmo assim, não devemos fomentar a vingança. Neste ponto, a igreja e a família tem papel fundamental , transmitindo seus valores e impedindo assim a falta de amor ao próximo, fazendo com que o respeito impere em qualquer circunstância.

Após sua palestra, a vez foi da professora Joana complementar, ela iniciou com a música da campanha da fraternidade, “Fraternidade sim, violência não.”, nos recordando do tema da campanha, Fraternidade e superação da violência, e do lema, Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8).

Sendo assim, falou um pouco da história de Caim e Abel, e sobre como nós não devemos ser como Caim, desobedecendo a Deus, matando nosso irmão, lembrou-nos que há varias formas de matar, não só física, também matamos na dignidade, ao tirar vantagem, ao humilhar, ao deixar nosso coração falar mais alto com o ódio, a discriminação, a exclusão, com o abandono, e diversas outras formas, esta é chamada a violência pessoal. Há também a violência institucional, que é a falta de interesse público e o abandono do governo. Por último, temos as violências comunitárias, que são as brigas e desentendimentos entre diversos grupos. Tudo isso vai nos corroendo e matando de pouco em pouco por dentro.

Ela também nos lembrou da época em que a campanha começou, sendo um movimento dentro da igreja para evitar a segregação de seus membros e que foi se expandindo para levar a fraternidade e o amor ao próximo.

Citou também seu artigo, sobre a música “Que tiro foi esse”, que é sensação do momento, falou sobre como somos insensíveis, ao brincarmos com tal “trocadilho”, caindo no chão como se levássemos um tiro, quando executamos isso, estamos fazendo chacota de quem foi realmente atingido por essa violência, uma piada sem graça para as vítimas dessa realidade.

Falou que não podemos ser uma anomia, sociedade sem regras, para vivermos bem, necessitamos de ordem, e as mesmas servem para isto, tais leis são encontradas desde a mais antiga sociedade, e Deus também nos deu normas para viver, pois sabia que sem elas, estaríamos condenados ao caos, por meio dos 10 mandamentos, nos guiamos através do tempo, convivendo e respeitando uns aos outros.

Além disso, falou sobre os problemas que ocorrem quando não seguimos as leis, causando problemas na vida de outras pessoas. Sendo um deles, os acidentes de trânsito, que ocorrem por negligência muitas vezes. Ele ainda citou a página no Facebook, Não foi ACIDENTE, que mostra absurdos que ocorrem em nosso trânsito.

Por último, nos falou sobre o respeito e que temos de nos lembrar de que apesar de discordarmos, devemos saber conviver uns com os outros, não devemos aceitar as injustiças, mas temos de respeitar as diferenças do irmão. Também citou as pequenas atitudes do dia a dia que podem mudar o mundo, seja ela devolver o troco errado ou não furar fila, pois “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.” Lucas 16:10

O material da campanha encontra-se disponível aqui.

 

 

 Fotos: Pe. Luiz Antônio

 

 

 

 

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