Papa Francisco pede que sacerdotes sejam pastores próximos e não “donos do campo”.
30/01/2018 - 13h59 em Papa

O Papa Francisco pediu aos sacerdotes, durante a Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã de hoje, que sejam pastores próximos em meio ao povo de Deus e que não sejam como o “dono do campo” que “bate nas ovelhas”.

O Santo Padre comentou, em sua homilia, a passagem evangélica da ressurreição da filha de Jairo e a cura de uma mulher que sofria fluxo de sangue. O Pontífice destacou “a grande multidão que seguia Jesus” ao longo do caminho.

Nesse sentido, destacou que Jesus gostava de sentir-se no meio do povo, de eliminar toda a distância entre ele e aqueles que o seguiam com esperança.

Francisco brincou: “Jesus não abre um escritório de aconselhamento espiritual com um cartaz ‘O profeta recebe segunda, quarta e sexta das 15 às 17. A entrada custa tanto ou, se quiserem, podem deixar uma oferta’. Não. Jesus não faz assim. Jesus tampouco abriu um consultório médico com o cartaz ‘Os doentes devem vir tal dia, tal dia, tal dia e serão curados’. Jesus se joga no meio do povo”.

“E esta é a figura de pastor que Jesus nos dá: um sacerdote santo que acompanhava assim o seu povo”, explicou o Santo Padre.

É assim como a mulher doente consegue aproximar-se de Jesus e ser curada depois de tocar o seu manto. “O pastor é ungido com óleo no dia de sua ordenação: sacerdotal e episcopal. Mas o verdadeiro óleo, aquele interior, é o óleo da proximidade e da ternura”.

“O pastor que não sabe se fazer próximo, falta a ele alguma coisa: talvez seja o dono do campo, mas não é um pastor. Um pastor ao qual falta a ternura, será um rígido, que bate nas ovelhas. Proximidade e ternura: vemos isso aqui. Assim era Jesus”.

O Pastor que segue Jesus “termina o seu dia cansado”, cansado de “fazer o bem”, afirmou o Papa. Assim, o povo sentirá a presença viva de Deus.

O Papa Francisco terminou sua homilia propondo rezar pelos pastores, “para que o Senhor dê a eles esta graça de caminhar com o povo, estar presente em meio ao povo com tanta ternura, com tanta proximidade. E quando o povo encontra o seu pastor, tem aquele sentimento especial que somente se pode sentir na presença de Deus – e assim termina a passagem do Evangelho: ‘E todos ficaram admirados’. A admiração de sentir a proximidade e a ternura de Deus no pastor”.

Evangelho comentado pelo Papa Francisco (Mc 5,21-43):

Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!”

24Jesus então o acompanhou. Numerosa multidão o seguia e comprimia. 25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais.

27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?” 31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou’?”

32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.

35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando.

Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” — que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.

 

VATICANO, 30 Jan. 18 / 08:35 am (ACI).

Papa Francisco na Missa em Santa Marta. Foto: Vatican Media

 

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