"Que tiro foi esse? (...) Foi o que atingiu a grávida de 8 meses, o bebe na barriga da mãe... veja o texto da Prof. Joana
18/01/2018 12:54 em Artigos

Estou estarrecida diante da onda da "brincadeira” que tomou conta do Brasil: “que tiro foi esse"? Verifiquei a letra do funk que leva pessoas, de todas as classes sociais, localidades e idades, se jogarem no chão, em qualquer lugar, fingindo que levaram tiro quando escutam o refrão do mesmo. Cheguei a duas conclusões: 


1ª. Somente o refrão do funk cita a expressão tiro, que no contexto da letra, faz um elogio para alguém que se destacou: “que tiro foi esse que tá um arraso?” Não estou defendo não, mas apenas tentando ser imparcial para uma análise racional. Evidente que há uma “intenção oculta” de fazer alusão ao tiro real. Aquele que sai de uma arma de fogo e extermina vida.


2º. Triste demais ter que acreditar em como os brasileiros se levam por ondas que conseguem fazê-los debochar da própria desgraça. As estatísticas apresentam “que tiro foi esse”. São muitas as “balas não perdidas, mas que acham pessoas” e elas caem sim em qualquer lugar. São de todas as idades, de todas as profissões, de todos os credos, de qualquer classe social. Muitas caem e não se levantam mais! Tornam-se estatísticas dos mortos por arma de fogo. Há tantas outras pessoas que compõem as estatísticas dos que ficaram paraplégicos, tetraplégicos e com tantas outras sequelas, também por terem sido atingidas pelo “tal tiro” que os brasileiros estão perguntando por ele. 


3º Infelizmente podemos responder, sem nenhum esforço, “que tiro foi esse”? Foram155 assassinatos por dia, o que equivalente a seis mortes por hora em cada estado em 2017. Vou começar, mas peço que também deixe no comentário sua resposta. “Que tiro foi esse”?


- Foi o que atingiu a grávida de 08 meses em Belford-Roxo/RJ.
- Foi o que atingiu o bebê na barriga da mãe em Duque de Caxias/RJ.
- Foi o que atingiu e matou cada um dos 134 Policiais Militares (filhos, pais, esposos) no RJ em 2017.
- Foi o que atingiu...

 

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