BULLYING: UM GRITO NO SILÊNCIO
06/12/2017 11:21 em Artigos

BULLYING é uma palavra de origem inglesa. Segundo o dicionário da Língua Portuguesa seu significado está escrito do seguinte modo: ”Forma de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e persistente, sendo direcionada contra um ou mais colegas, caracterizando-se por atingir os mais fracos de modo a intimidar, humilhar ou maltratar os que são alvos dessas agressões”.Pesquisa realizada pelas Nações Unidas no ano de 2016 com cem mil crianças e jovens de dezoito países mostrou que, em média, metade deles sofreu algum tipo de bullying por razões como aparência física, gênero, orientação sexual, etnia ou país de origem. No Brasil, esse percentual é de 43%. Segundo Mariana Tokarnia um em cada dez alunos são vítimas de bullying nas escolas.

Na manhã do dia vinte de outubro de 2017 na escola de Goiânia um estudante de quatorze anos atira nos colegas deixando dois mortos e quatro feridos que segundo as redes de comunicação agiu motivado pelo bullying. Se o jovem cometeu ou não o crime motivado pelo bullying não sabemos, mas é certo que necessita de ajuda.

O bullying é uma brincadeira?Esse caso será mais um número nas estatísticas? Podemos prevenir de alguma forma essas tragédias que vem crescendo a cada ano no meio escolar?  Precisamos refletir sobre o tema com responsabilidade porque nossas crianças e jovens gritam por socorro!

Segundo Dr. Gustavo Teixeira “O bullying está relacionado a comportamentos agressivos e desfavoráveis de alunos que se julgam superiores aos outros colegas, acreditam na impunidade de seus atos dentro da escola e muitas vezes pertencem a famílias desestruturadas, convivendo com pais opressores, agressivos e violentos. Quem executa tais atos deseja controlar e dominar outros estudantes e com freqüência foram ou são vítimas de abuso físico de seus pais ou familiares. Os alvos são jovens tímidos, quietos, fisicamente fracos, inseguros, pouco habilidosos socialmente, possuem poucos amigos, intimidados e incapazes de reagir a atos de agressividade.”

Infelizmente a maioria das vítimas não fala o que estão sofrendo com medo de serem ridicularizadas pelos professores, amigos ou familiares. E guardam o sofrimento até o ponto de realizarem uma tragédia. Tragédia que poderia ser evitada pela prevenção, conscientização ou uma simples conversa.

 

A escola precisa abrir as portas e realizar campanhas de informação e conscientização sobre o tema para professores, pais e alunos. Essas estratégias tornam o ambiente escolar um local acolhedor, solidário, positivo, de aceitação de si mesmo e do outro, estimulando uma convivência harmoniosa de respeito e ética.

Escolas e professores

·         Esclareçam os pais e alunos sobre o bullying através de reuniões, palestras e folhetos.

·         Convidem Pedagogos, Psicólogos e Psiquiatras para visitarem a escola e falarem sobre o assunto.

·         Realizem debates na sala de aula, fazendo a mediação necessária. O debate faz o aluno refletir.

·         Não admitam o bullying na sala de aula ou em qualquer ambiente da escola.

·         Encorajem os alunos a delatar a prática preservando sempre sua identidade.

·         Redobrem sua atenção em todos os ambientes escolares para identificar possíveis casos negativos.

 

·         Se necessário encaminhem os envolvidos para auxílio pedagógico ou psicológico.

 

·         Dialogue com seu filho a respeito do bullying e suas conseqüências.

·         Seja um exemplo de ser humano calmo, humilde e ético.

·         Eduque-o para que a escola reforce sua educação positivamente.

·         Ensine que todos os seres humanos são diferentes e merecem respeito independente de sua raça, aparência física, religião, etc.

·         Visite a escola com freqüência não só quando for solicitado, converse com os professores, pais e os amigos do seu filho. Observe se ele não quer ir à escola, busque saber o motivo.

·         Supervisione o computador, celular, programas de televisão, facebook, watshap, entre outros para verificar o que seu filho está vendo, com quem está conversando e sobre quais assuntos. Olhe as mochilas.

·         Abrace-o, beije-o, ponha no colo, o carinho apaga as mágoas e as dores. Ele precisa sentir protegido, amado pela sua família.

Dialogando com a canção Utopia de Padre Zezinho onde ele enaltece a simplicidade do amor em uma família: Faltava tudo, mas a gente nem ligava o importante não faltava seu sorriso, seu olhar...” e criando um link com a entrevista do pai Leonardo para o jornal Folha de São Paulo: “existe hoje uma sociedade de filhos órfãos de pais vivos.”, podemos refletir a falta da família na sociedade atual. As vítimas ou agressores do bullying (físico, sexual, verbal, social, virtual, etc.) clamam no silêncio por socorro.

Nossos jovens precisam do sorriso, do olhar, do dialogo... O TER não substituirá O SER. Não adianta falar do bullying quando acontece à tragédia é necessária a conscientização sempre, sem cessar, constante. É nossa responsabilidade!Não temos o direito do julgamento, mas temos o dever do diálogo, da informação e da conscientização seja com nossos filhos ou alunos. O número de casos de violência reduzirá quando tomarmos as rédeas da situação. E isso acontecerá quando a família tomar posse do seu devido lugar na sociedade.

 

 

Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo.” Provérbios 13 - 24

 

Viviane Pinheiro Andrade da Silva,

Professora, Pedagoga (UERJ),

Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional e Clínica,

Pesquisadora dos Transtornos de Aprendizagem,

Sócia da ABENEPI

e Membro da Pastoral da Educação de Itaguaí.

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