Artigo: A depressão na sociedade Atual. Por Viviane Pinheiro
26/10/2017 - 23h49 em Artigos

Relatório global lançado pela Organização Mundial da Saúde aponta que o número de casos de depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015: são 322 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria mulheres. No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população), enquanto distúrbios relacionados à ansiedade afetam mais de 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população).

 

A depressão é uma doença que atinge a humanidade desde suas origens, atingindo a autoestima, também o sentimento de inferioridade, tristeza, pessimismo, uma dor na alma.

No Evangelho Segundo São Lucas, capítulo 22, versículos de 42 a 44 perceberemos o ápice da depressão em Jesus. Nosso Senhor sentiu todas as nossas dores e enfermidades. Assemelhou-se ao homem menos no pecado. 

42 “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça,todavia,a minha vontade,mas sim a tua.” 43 Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. 44 Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.

Jesus sabia que iria passar pela prisão, julgamento, tortura e crucificação. Seu estado emocional inquietante fez com que chegasse a suar sangue. Nesta situação extrema, pequenos vasos sanguíneos que estão sob as glândulas sudoríparas podem se romper e o sangue sair pelos poros do corpo junto com o suor. Este fenômeno denomina-se HEMATIDROSE.

Depressão não é frescura, mas sim uma doença que atinge diversas áreas químicas do cérebro.  Ela engloba desde a deficiência no nível de alguns neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e dopamina) até alterações em níveis hormonais. Com menos “mensageiros”, a comunicação entre neurônios fica prejudicada e também a regulação das funções desses neurônios. A partir daí, o corpo e a mente começam a padecer. A deficiência de neurotransmissores traz ainda a diminuição de substâncias protetoras dos neurônios, podendo causar inclusive morte de células cerebrais. 

 

Figura 1 – Diminuição dos NEUROTRANSMISSORES

 

SINTOMAS DE DEPRESSÃO

• Irritabilidade;

• Ansiedade;

• Angústia;

• Desânimo;

• Medo;

• Impulsividade;

• Isolamento;

• Tristeza;

• Falta de motivação;

• Choro fácil;

• Fala monótona;

• Queixas físicas (dores de cabeça, dores musculares, dores de barriga, má digestão, azia, flatulência, diarréia, entre outras.);

• Pensamentos recorrentes de morte;

• Sentimentos de culpa.

Tristeza não é depressão. Se estes ou outros sintomas persistirem por semanas ou meses é sinal de depressão. Pois a tristeza é momentânea, sentimento normal do ser humano. Já a depressão é uma alteração química do cérebro.

 

TRATAMENTO

O tratamento da depressão envolve a associação de medicamentos psicoativos e psicoterapia. Estes medicamentos ajudam a repor os níveis dos neurotransmissores do cérebro até que o mesmo consiga produzi-los de maneira natural. A psicoterapia ajudará o indivíduo a si conhecer melhor, compreender sua essência e se fortalecer como ser humano.

Uma alimentação saudável, atividade física e realizar algo que goste também são atitudes que favorecem a melhoria do quadro. O importante é reconhecer que precisa de ajuda e buscá-la através da família, psiquiatra e psicólogo. Uma rede de apoio é fundamental para que o indivíduo não sinta-se solitário neste processo de tratamento.

Por que a sociedade atual sofre tanto com esta doença?

Porque estamos vivendo numa sociedade descartável onde as relações afetivas de uma maneira geral são transmitidas através da tecnologia.

Visitávamos mais as pessoas, conversávamos pessoalmente, trocávamos abraços e carinhos. Hoje isso tudo é transmitido de forma virtual e com várias pessoas ao mesmo tempo.

Esquecemo-nos de uma coisa: Não somos máquinas! Somos Humanos e necessitamos do contato físico para o bem da nossa sobrevivência.  Susan Greenfield, neurocientista, diz que estamos cada dia mais dependentes da tecnologia. E esta dependência está alterando nosso cérebro. Os indivíduos deste século estão esquecendo como olhar nos olhos, interpretar tons de voz ou a linguagem corporal, estamos vivendo uma vida online.

A vida online traz seus prejuízos. Por isso o aumento de depressão na sociedade atual. Essa busca faminta pela felicidade, poder, status, dinheiro cegaram as pessoas que obtinham convivência com o SER e agora coexistem com o TER.

De fato, a depressão é crescente pelo errôneo conceito sobre ser feliz e a não informação sobre o tema. A fim de resolver o problema, é importante que o Ministério da Educação e da Saúde promovam palestras sobre a depressão em todos os níveis sociais no Brasil, ensinando sobre os seus conceitos e sintomas. Por último, é necessário que o Ministério da Saúde implante profissionais capacitados, como psiquiatras e psicoterapeutas para acompanhar os pacientes depressivos. Assim, é esperado que os dados e estatísticas apontem para uma queda na depressão no Brasil.

Se você conhece alguém nesse quadro ou percebe-se depressivo, não tenha medo. Procure ajuda! Depressão tem cura!

Deus abençoe você!

 

 

 

 

 

 

 

 

Viviane Pinheiro Andrade da Silva, Professora, Pedagoga (UERJ), Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional e Clínica, Pesquisadora dos Transtornos de Aprendizagem, Sócia da ABENEPI e Membro da Pastoral da Educação de Itaguaí.

 

 

REFERÊNCIAS

RELVAS, Marta Pires. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 6 ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015.

RUBIM, Renato. Lidando com pessoas problemáticas, Sociopatas e Bipolares. 1 ed. Rio de Janeiro: Edificar Editora, 2016.

TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos transtornos escolares. 1 ed. Rio de Janeiro, 2013.

WEBSITE

https://nacoesunidas.org/oms-registra-aumento-de-casos-de-depressao-em-todo-o-mundo-no-brasil-sao-115-milhoes-de-pessoas/

 

 

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